SECULARIZAÇÃO do Mundo Complexo e O EVANGELHO
Vivemos num mundo secularizado. A religião ocupa um espaço cada vez mais reduzido, especialmente no Primeiro Mundo. Significa
que o ocidente experimenta a realidade de governo, leis, educação, mídia que excluem Deus da vida. A exclusão da religião da cultura, das artes e a formação secularizada do homem moderno é uma realidade que se confirma constantemente. Desde a renascença, paulatinamente Deus foi banido da civilização ocidental e substituido pelo humanismo. A maioria continua afirmando que acredita em Deus, porém, a importância da “fé” no dia a dia é irrelevante. O temor de Deus desaparece. O otimismo da fé na capacidade do homem resolver seus problemas e alcançar seus objetivos utópicos ocupa o lugar de fé num futuro melhor após a morte. Quem precisa de Deus, se a ciencia e o progresso tem as ferramentas para dominar a natureza e a razão humana tem a inteligência suficiente para encarar todos os desafios.
“O Deus desta era cegou o entendimento dos descrentes para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo” (2 Co 4.4NVI). Paulo escreveu estas palavras num contexto duma sociedade imersa na idolatria e magia. Após a conquista do Império Romano pelo cristianismo, este dominou todas as facetas da vida. O cristianismo tomou o lugar do paganismo. A penetração do cristianismo institucionalizado com o papa no pináculo do poder, sujeitou a cultura europeia à força da religião até a renascença. A reação do iluminismo começou a desmoronar o domínio da religião cristã no centro da vida. Filosofias humanistas questionaram as certezas afirmadas pela Igreja durante séculos. A ciencia começou a ganhar espaço com descobertas deslumbrantes. Um novo paradigma garantiu que não era o planeta terra, mas o sol, que estava no centro do sistema solar. O telescópio demonstrou que o universo era imenso, milhões de vezes maior do que se imaginava.. A tentativa da Igreja combater estas novas descobertas trouxe descrédito sobre o cristianismo.
Mais recentemente a teoria de evolucão foi aceita como uma alternativa viável em lugar da descrição bíblica do origem do universo e do homem. A nova mentalidade, de acordo com G.K. Chesterton, foi de um deus que escreveu a peça de teatro e a entregou ao ator humano que não lembrava mais do autor e nem do propósito de montar a peça. Os livres pensadores creram que o progresso depende da inteligência e criatividade do homem e não da revelação de um deus que, se existe, não influencia os acontencimentos naturais. Nietzsche ousadamente declarou que Deus morreu. Marx acreditava que as forças determinantes econômicas produziriam uma sociedade harmoniosa. Os que produzem segundo suas habilidades supririam as necessidades de todos.
Um desencantamento tem ameaçado a utopia dos filósofos e sociólogos. Os avanços científicos tem acarretado com alguns elementos negativos. A rápida destruição da natureza, a poluição, o aquecimento da camada de ar e o aumento do burraco de ozone, provocados pelas emissões de gases, tem sido desalentador. Doenças novas como AIDS e SARS tem sido inimigos da humanidade difíceis de combater eficazmente. A violência no mundo, as guerras, a incapacidade das autoridades controlar as drogas e o terrorismo, todos são sintomas de um mundo que perde a esperança de encontrar soluções humanistas definitivas para todos os problemas que afligem a humanidade.
O cristão encara este quadro desalentador com uma avaliação bíblica. “Todos pecaram e estão destituidos da glória de Deus”. A corrupção do coração do homem leva à conclusão que a humanidade nunca alcançará a perfeição do Paraíso sem a intervenção do Criador. A exclusão de Deus pela mídia e a política escolar, é simplesmente uma reação do coração soberbo que pensa que tudo pode por conta própria.
A declaração da Bíblia que o Cristo ressurreto e entronizado reinará até que ele ponha todos os inimigos debaixo dos seus pés é a alternativa cristã. O último inimigo a ser vencido pelo Senhor é a morte. Não adianta sonhar com um salto da humanidade até o Paraíso sem que primeiro o pecado seja vencido pela nova criação e o juizo final. Maranatha (Vem, Senhor).
O Evangelho
A. Rm 1.18 – A ira de Deus se manifesta contra toda impiedade
e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça.
B. O amor de Deus tem de seguir a compreensão do
profundidade da rebelião e pecado do homem. Rm 3. 10 “Como está escrito não há justo, nem um sequer”. Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus. Rm 3.23
C. Em Rm 1 percebemos a gravidade do pecado dos homens reside no fato que pecadores tendo conhecimento de Deus, mas não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes, se tornaram nulos em seus próprios racioncínios obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Trocaram a glória de Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível”.
D. Rm 5.12 ensina claramente que o pecado de Adão também foi o pecado de todos os seus descendentes. Para de se livrar desse pecado original que contamina a natureza profundamente é necessário que o Segundo Adão se encarne, cumpre toda a justiça (Mt 3.15), e providencie redenção por meio de Jesus Cristo (Rm 3.24). Deus propôs a Cristo no seu sangue como propiciação para que mediante a fé manifeste sua justiça substitutiva. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que , nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21).
E. No mundo contemporâneo pecado não passa de um erro, e isso somente quando prejudica os outros. A defesa do homem secularizado é que não sou ruim. Não cometi nenhum crime. Sou bem intencionado de modo se houver um juizo no futuro certamente Deus me aceitará tal com sou.
F. O mundo complexo não acredita no inferno e nem no juizo de Deus.que condenará todos que náo são justificados pela morte de Cristo, aceita pela fé.
O Papa João Paulo II declarou que o inferno é a vida que nós criamos para nos mesmos. Os sofrimentos de sta vida com tantos problemas e dificuldades é suficiente inferno.
G. O mundo complexo moderno, se crer que existe uma vida
após a morte, não está esperando o juízo de Deus.
No curso (Cristianismo Investigado) preparado para evangelizar o homem moderno inglês, a equipe de J. Stott, apresenta como nós devemos fazer a nossa parte segundo 2 Co 4.1-6.
Enquanto o mundo capitalista que depende de marketing e engano.
O evangelho tem de ser apresentada como ele é, verdade como Deus é verdade. Jo 14.6 e Deus não pode mentir.
1. Não age sem integridade – “NÃO ANDANDO COM ASTÚCIA”, v. 2 falamos a verdade com sinceridade genuina.
2. Age com fidelidade – não distorcemos a Palavra de Deus” – temos obrigação de falar toda a verdade, inclusive as partes duras.- pecado, inferno, juízo, arrependimento.
3. Explica com inteligência e compreensão – “pela manifestação da verdade’ (v. 2b) apresenta a verdade de maneira clara.
4. Manifesta humildade – não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo como Senhor. 4.5
Faz parte da complexidade do mundo pecaminoso em que vivemos que os homens acham mais legal produzir sua própria justiça do que humildemente, pela fé depender unicamente da justiça de Cristo oferecida de graça para nós.
Continue lendoDinheiro, benção ou maldição?
Paulo afirma que o amor ao dinheiro é raiz de todos os males (1 Tm 1:10).
Continue lendoLamento Inútil
“Até quando lamentarás…” 1 Sm 16.1
Uma das coisas mais difíceis para superar são as desilusões e derrotas do passado, especialmente quando estamos no ministério. Esta responsabilidade lhe agrega um peso adicional que não resultaram como esperávamos. Talvez se trate de uma pessoa de que tínhamos grandes expectativas; investimos muito em sua formação, mas não resultou ser o que esperávamos. Quem sabe o desânimo tenha a ver com uma decisão que tomamos, crendo no momento que que era a melhor opção para a família. O tempo, porém, demonstrou que a decisão foi errada e estamos pagando um alto preço por ela. Podia se tratar de um problema na congregação, que dirigimos incorretamente.
Hoje vemos claramente as consequências disto, em oposições e tensões que afetam as nossas relações com outros. O fato é que nossa desilusão poderia atribuir-se a razões sem fim. A vida raras vezes se ajusta a nossas expectativas. As coisas não são tão simples como esperávamos e a frustração é frequentemente uma companheira da nossa experiência de vida. O processo de amadurecimento consiste em descobrir que isto é parte da realidade com a qual temos que conviver diariamente.
Para muitas pessoas, não obstante, as desilusões e os dissabores da vida podem se converter em obstáculos mais difíceis de superar que os problemas que produziram estes sentimentos. Presos por estas fortes emoções, corremos o risco de passar a vida em lamentos pelo que nos coube viver. Uma frase que frequentemente se escuta nesta situação é: “se eu tivesse feito isto, ou dito aquilo…”. Armados com este pensamento, voltamos uma e outra vez as situações do passado, imaginando como seriam as coisas se tivéssemos agido de outra maneira.
Observe a pergunta que Deus faz a Samuel: “Até quando te lamentarás…?”. O Lamento é pouco produtivo, porque o passado não pode ser mudado. Somente podemos aprender dele as lições necessárias para não cometer os mesmos erros no futuro. Enquanto Samuel seguia se lamentando, o Senhor havia avançado a próxima etapa em seus projetos: “entre seus filhos eu escolhi um rei para mim”. Seu olhar já estava colocado em outro homem e as coisas que conquistaria através da vida deste jovem.
Nas instruções do Senhor a Samuel há um desejo de mobilizar uma vez mais o seu profeta, de livrá-lo da melancolia na qual havia caído. O fato é que há um só caminho que podemos andar, e este caminho está para frente. Não devemos perder mais tempo do que o necessário meditando nas derrotas do passado. Quando já extrairmos a lição necessária da experiência, podemos dar as costas ao passado e avançar com passo firme em direção ao futuro. A vida está a frente.
“Esquecendo-me das coisas que ficaram para trás, e avançando para as que estao adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o premio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus”. Fp 3.14
Por Christopher Shaw
Traduzido por Olavo Nunes Neto
A GRANDE CEGUEIRA

A visão é um dos cinco sentidos de fundamental importância. Pela falta, temos registro na história bíblica de alguns personagens que foram enganados sobremaneira e sem retorno. Cito o exemplo de Isaque, o patriarca filho de Abrão que, na velhice, quando suas vistas estavam escurecidas, foi ludibriado por causa de um conluio arquitetado por sua mulher Rebeca e seu filho Jacó. Sem entrar no mérito do plano de Deus para a história de Israel e da Igreja de Jesus Cristo, Isaque foi ludibriado pela falta da visão. Os demais sentidos não lhe auxiliaram quando impetraram a benção patriarcal.
No texto registrado do Evangelho segundo Marcos, capítulo dez do versículo quarenta e seis ao cinquenta e dois, está escrito que um cego mendigo chamado Bartimeu, estava sentado na beira do caminho e, ao reconhecer pelo som, que o Messias estava presente, clamou em alta voz por uma intervenção divina. Por mais que houvesse adversidade ao seu redor, ele insistiu em clamar: “Jesus, Filho de Davi, tenha misericórdia de mim”! Jesus, além de curá-lo, deu-lhe a percepção de que o único caminho para salvação estava à sua disposição. Bartimeu passou a seguir Jesus pelo caminho.
Enquanto Bartimeu nos dá esta importante lição de vida, muitos de nós, salvos e resgatados pelo poder do sacrifício de Cristo estamos perdendo a visão! A medida que vamos caminhando, perdemos muitas vezes Jesus de vista. Chamamos isto de “a grande cegueira”. Maior cego é aquele que enxerga e não vê.
Perdemos a visão quando não reconhecemos Jesus na nossa existência. O perigo da igreja secularizada está justamente em perder Jesus de vista. A igreja onde a razão fala mais alto que o Espírito. A igreja onde os bens temporais são mais importantes que a salvação da alma. A igreja onde a vida terrena com seus bens, está acima do anseio pela eternidade.
Perdemos a visão quando voltamos a sentar na beira do caminho. Estar sentado à beira do caminho significa ficar inerte a tudo o que está corroendo a sã doutrina. Parafraseando, estar à beira do caminho é estar em cima do muro. Estar à beira do caminho, significa não tomar iniciativa em meio ao engano e esperar, por medo de ser perseguido, pra ver o que poderá acontecer.
Perdemos a visão quando voltamos a mendigar. Voltamos a medigar quando deixamos de buscar água na fonte, Palavra de Deus, e passamos a acreditar em nossas experiências e nas experiências de líderes que dizem ter recebido uma nova unção a pretexto de uma santidade falsificada. Jesus disse que passarão os céus e a terra, porém, suas palavras não passarão. Qualquer movimento novo que promova mais o humano do que a glória de Deus, leva as pessoas a serem mendigas espirituais e reféns das instituições.
Perdemos a visão quando deixamos de clamar. Bartimeu saiu de seu estado de cegueira e pobreza porque insistiu em clamar. Seu clamor foi direcionado. Ele clamou ao filho de Davi. Em outras palavras, para não perder a visão é preciso suplicar. Em alta voz pedir a Deus em Nome de Jesus, que nos socorra para não entrarmos na escuridão chamada trevas espirituais.
O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir. O que o inimigo tem roubado Jesus tem poder para restituir. Ele disse, eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.
Chegou o tempo de clamar em alta voz e não nos conformarmos com o curso deste mundo nem nos intimidarmos com leis anticristãs. Oremos para que não percamos a percepão do Messias em Nossa existência e não voltemos a sentar à beira do caminho mendigando pelas migalhas que os sem visão possam nos oferecer.
Oremos pela restituição da visão bíblica para a igreja de Cristo que somos nós, os salvos pela sua infinita graça e misericórdia.
Por pastor
Vanderlei do Couto
A Igreja Hoje
Por que ser membro dela?
Pr. Russel Shedd

É maravilhoso ser membro da Igreja de Jesus Cristo! Ele prometeu, durante seu ministério na terra, que edificaria sua Igreja. A Igreja teve seu iníciomiraculoso com a descida poderosa do Espírito Santo e continua crescendo com sua atuação regeneradora. Ninguém faz parte da Igreja de Jesus Cristo sem nascer do Espírito. Ela é um povo exclusivo de Deus, foi escolhida livremente pela sua graça antes da fundação do mundo e existe inteiramente para sua glória e prazer.
A palavra “invisível” descreve a Igreja universal. Parece infeliz porque sugere uma idéia platônica, isto é, que a Igreja pode existir sem uma expressão visível. Os Reformadores desenvolveram esta descrição para manter o princípio, contra Roma, de que a Igreja está fundamentada na graça livre de Deus. Foi assim que os apóstolos enxergaram o povo redimido – do império das trevas – e transportado para o Reino do seu Filho amado. Somente Deus sabe quem realmente lhe pertence; portanto, invisível para nós.
Para se tornar parte da Igreja, a Bíblia exige confissão pública, normalmente no batismo, e uma fé genuína na ressurreição histórica de Jesus dentre os mortos. Não há garantia de que os que confessaram o nome do Senhor e “creram nEle” foram realmente regenerados. A confirmação da fé salvadora de um membro da Igreja de Jesus Cristo vem através do amor de Deus derramado nos corações dos salvos e a perseverança no caminho. Declara o autor de Hebreus: “Pois passamos a ser participantes de Cristo, desde que, de fato, nos apeguemos até o fim à confiança que tivemos no princípio” (3.14 – NVI).
A Igreja é um templo, disse Paulo, querendo dizer com isso que Deus habita no meio de sua família na terra, tal como habitava no Santo dos Santos no templo de Salomão. Para Pedro, a Igreja é representada por uma casa espiritual edificada com pedras vivas porque chegaram à Pedra Viva (Jesus). A Igreja é um campo com plantas (pessoas) que têm qualidades que o Espírito desenvolve para demonstrar seu amor: “alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22,23).
A Igreja ganhou o título de família de Deus pelo fato de que Ele adotou os membros como filhos. A fraternidade dos “irmãos” da Igreja deve ser uma expressão do relacionamento familiar que une os que gozam do direito de fazer parte dessa nova “raça eleita”. Ela também é um “novo homem” com ambições distintas dos homens da raça de Adão e Eva.
Tristemente, não podemos concordar com todas as posturas de todos os líderes humanos que pastoreiam mais de um milhão e meio de igrejas locais no mundo inteiro. Alguns deles ensinam doutrinas antibíblicas e promovem práticas opostas às que Deus propõe para sua Igreja. A infidelidade dos membros não nega a finalidade de Deus em resgatar pecadores das garras satânicas, dando-lhes vida pela graça recebida por fé. Deus “nos escolheu nele antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença” (Ef 1.4).
Ortodoxia doutrinária que produz igrejas que apresentam a imagem de Cristo não pode ser definida com absoluta precisão. No entanto, o alvo que Paulo declarou para os colossenses deve ser a ambição principal de todos os que amam ao Senhor Jesus de verdade. “Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (1.28). Foi o mesmo interesse que Jesus teve logo antes de sua ascensão: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo que eu lhes ordenei” (Mt 28.19,20).
CONCLUSÃO
As aberrações doutrinárias e desvios nas práticas comprovam a vulnerabilidade da igreja no mundo pós-moderno. Jesus estava consciente do perigo que a igreja correria quando levantou a questão da fé existir ou não na terra quando Ele voltar. Como a igreja de Laodicéia, que não reconhecia sua condição miserável, digna de compaixão, pobre, cega e nua, as igrejas contemporâneas são suscetíveis às tentações mundanas e a viverem longe dos alvos do seu Senhor. Que Deus graciosamente mostre misericórdia para com sua Igreja, enviando líderes e membros comprometidos com as ordens que Ele passou para ela através de seus apóstolos e profetas há dois mil anos.
A ESTABILIDADE DA FAMÍLIA
Por Walter Bastos
Referência: Lc 6.46-49
O que é que caracteriza uma família abençoada? É a estabilidade material ou financeira? Absolutamente não! Pois o segredo de um lar feliz é descrito por Paulo nos seguintes termos: “e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor” (Ef 3.17). Deus precisa estar entronizado em cada lar, e o relacionamento familiar precisa ser baseado, alicerçado no amor verdadeiro.
Quando é que Deus habita ou reina em nosso lar? Jesus Cristo responde a essa pergunta por meio da figura do homem prudente descrito na parábola do dois fundamentos. Quem não almeja uma família feliz? Todo casal que planeja seu casamento quase nunca se previne das coisas ruis! Entretanto elas vêm “mesmo sem serem chamadas”, e em não poucos casos, causam grande destruição. Como se prevenir delas? De que maneira podemos ter uma família estável, segura e feliz? A família que está enraizada em Cristo nunca será abalada!
O homem prudente edificou sua casa sobre a rocha;
Ser “prudente” (grego “phrónimos”) é o mesmo que ser sábio na pratica, compreensivo, sensato, que pondera suas palavras e atos. Não faz nada as pressas ou sem refletir. Se vai casar, comprar, conceber filhos, antes de tudo ora e planeja. Só constrói em lugar seguro, debaixo de convicção do Espírito Santo (Rm 14.17).
Ouvir ou aprender os ensinos de Cristo somente tem valor, quando praticados. Pela experiência do novo nascimento (o alicerce para a eternidade – 1Co 3.11) o crente é capaz de praticar a doutrina cristã. Cristo é a “rocha” e sobre ele construímos – pelos tijolos das orações respondidas, novas revelações etc – nosso lar.
Edificar é o mesmo que construir. O termo “casa” que é sinônimo de “vida”, também é uma forma alargada para família. Nosso lar precisa ser bem fundamentado, alicerçado, arraigado ou enraizado em Deus para resistir as inevitáveis “tempestades da vida”, que inundam por “baixo”, sopram dos “lados” e chove por “cima”, menos por “dentro” onde Cristo está entronizado. Em outras palavras, ataques externos jamais poderão destruir a vida ou o lar daqueles que estão em Cristo (Jo 6.37).
Construir uma família estável é trabalhoso, demanda tempo, esforço e principalmente muita graça de Deus. Lucas declara que é preciso “cavar fundo”, romper paradigmas (Gn 25.28), pecados e maldições (Ap 2.5).
O salmista afirma que a casa forte ou firme, é construída pelo próprio Deus (Sl 127.1), que começa por um bom casamento (1Co 7.39); sobre Adão está escrito que após a “clonagem” de Eva, Deus “… lha trouxe” (Gn 2.22). O Senhor tem uma Rebeca e um Isaque para cada um de seus filhos e filhas respectivamente.
O homem insensato edificou sua casa sobre a areia;
A palavra insensato no grego é “morós”, que significa: tolo, estúpido; aquele que reproduz atos irrefletidos e insensatos oriundos de “pensamentos que sobem ao coração provenientes de uma falta de conhecimento ou da incapacidade de fazer decisões corretas” (Rienecker e Rogers, p. 16: 1995). O termo também significa: “que ou aquele que não pensa para fazer as coisas” (Dicionário Sacconi). A principal característica do insensato está no fato dele se apegar ao que é aparente.
Tolo, portanto, é aquele que edifica sobre “areia”, ou constrói sua família sobre ideais, esperanças e prazeres temporais e ou sobre filosofias mundanas, ou seja, em cima do nada. O pior é que ele somente descobrirá isso quando for tarde demais.
Um exemplo clássico de tolice: o Rei Davi permaneceu em Jerusalém, durante a guerra de Israel contra os filhos de Amom (2Sm 11.1-5), quando deveria estar com seu exercito na frente de batalha. Sua ociosidade, autoconfiança (não vigiou) e falta de contentamento o levou a cometer um duplo pecado: adultério e homicídio. Ele conhecia a exigência da Lei: “Tampouco para si multiplicará mulheres” (Dt 17.17); mas a ignorou. Na origem do casamento nunca houve qualquer idéia de poligamia (ou poliginia – Mt 19.4-6).
A insensatez pode vir pela maneira de conduzir as coisas dentro do lar. Grandes homens de Deus fracassaram na educação de seus filhos: Arão (os irreverentes Nadabe e Abiú – Lv 10.1-5); os filhos do sacerdote Eli são chamados de “filhos de Belial” (1Sm 2.12). Cerca de 30% dos presos da extinta “Carandiru” eram filhos de crentes, e quase a metade desses eram filhos de pastor.
Revendo nossa construção e consagrando a família a Deus.
A tolerância e misericórdia de Deus é a causa de não sermos destruídos (Sl 103.8-11), em razão disso, Ele nos dá mais tempo – segurando as tempestades – para que coloquemos em ordem ou para que façamos uma revisão em tudo que fazemos ou que permitimos que se faça de errado dentro de nossas casas.
O rei Ezequias ouviu do profeta Isaías o seguinte: “… Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (Is 38.1). A “tempestade da enfermidade” se abateu sobre o rei e só não ceifou sua vida porque ele orou com profunda humildade. O que estava em desordem na casa ou na família de Ezequias? Seu filho Manassés foi o pior e o mais abominável rei de Judá (2Rs 21.1-18). Se Ezequias tivesse morrido não teria gerado esse déspota.
Davi pecou, mas não reconheceu – racionalizou sua ação (justificou-a com palavras e ações sem fundamento). Só houve verdadeiro arrependimento quando já era tarde demais (2Sm 12.7-14), o juízo já estava a caminho. A família de Davi sofreu demorada tempestade: incesto entre Amnon e Tamar (2Sm 13.14); homicídio entre irmãos (2Sm 13.28); Absalão um dos seus filhos comete incesto com as concubinas de Davi (2Sm 16.22) etc. Davi construiu um grande reino, mas teve uma péssima família, por que foi um pai ausente e passivo.
Porque Deus não ouve a oração de muitos homens? Eles pedem, buscam, imploram, mas não recebem nada. A resposta pode estar dentro de suas casas, na intimidade conjugal, na forma desumana, carnal, e inapropriada de tratarem suas esposas (1Pe 3.7).
Deus quer reconstruir famílias, casamentos, dar filhos abençoados (2Sm 12.24), mas o seu perdão não nos livra de prováveis conseqüências.
A família sem alicerce está “solta”, instável, à mercê dos “ventos, chuvas e transbordamentos” que virão com “ímpeto” e sem piedade, na forma de adversidade e problemas. Sem estabilidade, sem um lugar firme e inabalável o casamento rui na menor das desavenças. O mundo está cheio de incertezas; as pessoas vivem amedrontadas o tempo todo, e é verdade que estamos vivendo na “era do medo”. Todavia, o lar que está alicerçado em Cristo – pela obediência inegociável da sua Palavra – não tem razões para pânico, pois como diz o salmista: “… Podemos passar por momentos difíceis, de grande tristeza, mas Ele logo nos devolve a alegria” (Sl 30.5 – BV).
Pr. Walter Bastos
prwalterbastos@hotmail.com
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