Filhos Drogados

Por Oziel Alves
O consumo de drogas é universal e milenar, porém nos últimos anos sua crescente demanda entre jovens e
adolescentes tem sido motivo de preocupação para pais, governos e sociedade. Um vício responsável pela morte de aproximadamente 20 mil brasileiros por ano. Estudos revelam que os pais levam em média dois anos para perceberem que o filho é um dependente, no entanto, um dos motivos desta imersão é resultado de relações sociais conflituosas dentro do próprio lar.
Um filho tende ao vício se em algum momento os princípios do relacionamento familiar forem quebrados. Na medida em que a sociedade vive os avanços e exigências do mundo moderno, boa parte destes princípios começa a se deteriorar, e sua ocorrência pode ser encontrada em todos os tipos de famílias, em menor ou maior grau.
As circunstâncias deste novo estilo de vida impuseram à mãe contemporânea o acúmulo de funções: “mãe que cuida da casa, dos filhos, que trabalha fora; mãe que estuda. Uma exaustiva jornada que atinge, segundo o Ibope, 51% das mulheres brasileiras. Deste total, um terço vive sem o companheiro e 43% delas são chefes de família. No Brasil são 3 milhões de mães nesta situação.
A dificuldade maior surge relacionada a criação de filhos. Pais distantes mostram-se mais liberais do que pais presentes, consequentemente, impõem menos limites. Embora existam outras variáveis, a falta do regramento diário é a maior porta para o envolvimento dos jovens com o mundo das drogas. Segundo Sussman, em sua obra intitulada “A correlação do ‘abuso de substâncias e a dependência química’”, o índice é elevado em todas as classes sociais, porém destaca-se, principalmente entre famílias de pais separados, uma realidade em constante crescimento. De acordo com o último recenseamento do IBGE realizado em 2005, o número de divórcios atingiu o patamar mais elevado desde 1995, e estima-se aumento expressivo nos próximos anos.
Segundo o pesquisador social Vaillant a ausência de uma relação calorosa e diária com o pai é identificada na grande maioria dos casos de envolvimento com as drogas, no entanto esta relação não se aplica a função materna. “Mães que proporcionaram cuidados inadequados não aumentaram as chances de ter filhos ‘drogados’, se comparado a mães que proveram relações calorosas a prole”. Identifica-se, portanto uma relação direta entre o uso de drogas e a ausência da função parterna.
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Tiago Gonzáles, 18 anos foi exemplo disso. Tinha apenas 7 anos quando experimentou pela primeira vez, uma dose de cocaína. Motivado pela curiosidade, declara. “Usei, porque queria saber como era. Meu irmão, por parte de mãe era usuário da droga. Mesmo assim conseguia levar a vida dele, normalmente, lá em Porto Alegre. Trabalhava e freqüentemente nos visitava em Rosário do Sul. Ele não deixava eu usar drogas quando estava por perto, mas quando ele saia, eu pegava escondido”.
Seu pai, depois de ter um caso com sua mãe Leneir voltou a viver com “a outra família”, com ele declara. Os contatos paternos tornaram-se cada vez mais escassos. A mãe, para receber o pequeno orçamento que custeava as despesas de uma residência localizada no subúrbio da cidade trabalhava, arduamente como vendedora de loja, do nascer ao pôr do sol. Tiago passou a intensificar o uso de substâncias psicoativas. Envolveu-se também, com maconha e alcoolismo. Fez grandes ‘amigos’, a maioria deles ligados ao tráfico. Em troca de pequenas doses fazia “mãos para os traficantes” como descreve o ato de entregar a droga ao cliente em troca do pagamento. “Eu me dava super bem com os patrões da boca” dizia ele. Aos 9 anos, já era um viciado. Desesperado pela fissura da droga começava a praticar seus primeiros delitos. “Iniciei roubando dinheiro da minha mãe, depois passei a assaltar pedestres e residências”. Como sua pequena estatura não impunha respeito, com um revólver emprestado por amigos tomava coragem e dispunha-se na incumbência diária de arrecadar o dinheiro que fosse necessário ao custeio dos vícios. Dona Leneir implorava para que ele deixasse as drogas. “Ela estava em depressão profunda e chorava dia e noite. Insistia para que eu fosse à igreja, apesar de ela não ser uma fiel seguidora” dizia ele, esforçando-se para não deixar cair uma lágrima. “Mas eu não dava ouvido, meu envolvimento evoluía cada dia mais”. Aos 16 anos passou a viver na “boca”. A concorrência do negócio lhe trazia inimizades que prometiam diariamente acabar com a sua vida. Freqüentemente, envolvia-se em tiroteios. Chegou a levar um tiro na perna. “Esta marca aqui (apontando uma cicatriz que transpassava de um lado ao outro, o músculo, pouco abaixo do joelho), foi um tiro de um traficante. Havia um tiroteio na boca. Eram balas para todos os lados. Eu resolvi fugir. Fui atingido morro acima”. Questionado se já havia atirado em alguém, ele responde que sim, mas ficara sabendo posteriormente que nenhum deles falecera. “Ou era eu, ou era eles” disse o rapaz, consternado.
Aos 17 anos, felizmente, sua história começa a mudar. “Eu estava muito mal, a ponto de ter uma overdose. Sofria por causa da droga. Entrei em depressão. Os pensamentos de acabar com minha vida, eram freqüentes. Procurei minha mãe e falei pra ela que eu precisava de ajuda. Ela já tinha me oferecido outras vezes, mas eu não aceitava. Agora era caso de vida ou morte. Fui parar na ala dos dependentes químicos do Hospital Psiquiátrico São Pedro. Fiquei lá 8 dias, então, me rebelei. Pedi pra sair. Naquela mesma semana minha mãe, através de um pastor de Rosário que conhecia o pastor Quirino descobre a Cidade de Refúgio, e me transfere pra cá ”.
Entrevistado no dia de sua formatura, depois de um ano de internação, Tiago confessa: “pulei várias vezes a cerca da fazenda”. A abstinência das drogas lhe causava pânico e reações de violência. Sempre que fugia, ia até casa do pastor Quirino (Diretor Geral da Cidade de Refúgio) a fim de reivindicar sua “liberdade” e documentação, “mas o pastor sempre tinha uma palavra pra gente. Aquilo tocava muito forte o meu coração e ele, serenamente, sempre acabava me convencendo a retornar”. Hoje, cristão, convertido através do trabalho diário de evangelismo e conscientização realizado por experientes colaboradores no sítio, um Tiago dócil, educado, bem humorado e feliz abre mão de sua liberdade de retorno a casa de sua mãe, para trabalhar como voluntário no local onde foi reabilitado à viver em sociedade. “Quero ajudar outros jovens a superarem esta vida de sofrimento. Quando eu cheguei aqui, muita gente me ajudou, me deu apoio. Agora chegou a minha vez de retribuir a quem precisa”. Perguntado sobre os futuros planos para sua vida, ele diz: “Primeiro desejo tirar a minha mãe daquela cidade. Não quero mais voltar pra lá. A maioria daqueles que ‘se diziam meus amigos’ morreu. Uns foram assassinados, outros tiveram overdose, outros se foram infectados pelo vírus HIV. Não sei se há algum vivo, ainda, só sei que é uma vida horrível. Eu gostaria de esquecer para sempre”.
Uma história de sofrimento, porem com final feliz. Hoje, dona Leneir tem 45 anos, é cristã e confessa sua fé em Jesus Cristo. Vive o momento mais feliz de sua vida diante da recuperação de Tiago. Seu filho mais velho também deixou as drogas e encaminha-se a conversão.
A Cidade de refúgio é um complexo, composto por 4 chácaras (2 masculinas, 1 feminina e outra em reforma) localizado na cidade de Guaíba, região metropolitana de Porto Alegre. Um ambiente agradável, limpo e acolhedor onde jovens e adultos dependentes de substâncias químicas, predominamente o álcool e o crack são recebidos a fim de serem reciclados ao convívio na sociedade.
O projeto criado em 1998 pelo Pastor Quirino e sua esposa Lúcia ganhou notoriedade entre os órgãos governamentais e já é referência no estado do RS. O trabalho tem transformado, na prática, milhares de vidas marginalizadas. “A droga leva, praticamente, 100% das mulheres à prostituição e 100% dos rapazes ao roubo”, diz o pastor “mas aqui eles são recuperados”. 
Embora não tenha uma planilha de dados, ele estima: “Considerando o fato de que diariamente atendemos de 1 a 3 pessoas, já passaram por aqui mais de 3 mil dependentes químicos, e 95% deles obteve aprovação”. Destes, aproximadamente 90% não conheciam as boas novas de salvação. 25% segue o evangelho e todas as famílias de alguma forma foram impactadas com a palavra. “Muitas vezes o propósito de Deus vai bem além da vida do filho. Muitos pais se rendem ao amor do Senhor, em função desta triste experiência. É uma vida de horror e sofrimento, mas pra Deus não há impossível. Sempre há uma saída, e nós estamos aqui, para executar este chamado do Pai”
Pr. Quirino enfatiza: “atualmente, os pais que desejam internar um filho aqui devem fazer um acompanhamento em grupo, todas as quartas-feiras em minha casa. Nesta reunião, onde reúno católicos, espíritas, umbandistas, agnósticos, ateus, seicho-no-iês, etc, eu tenho a oportunidade de apresentar o plano de salvação”. Muito mais do que um local de reabilitação, a Cidade de Refúgio tem sido a porta por onde muitas pessoas chegam a conversão.
Totalmente administrada por internos, as chácaras recriam um ambiente familiar. Diariamente, tarefas são distribuídas, a cada um, conforme suas habilidades. Alimentação, limpeza e melhorias na infra-estrutura estão entre as atividades desempenhadas. Frequentemente, a equipe masculina é chamada à executar a manutenção da chácara feminina e este contato, cuidadosamente monitorado pelos responsáveis, tem gerado relacionamentos sérios e abençoados .
Eduardo Betil, 23 e Mara Rubia, 34 são exemplos disso. Ele, filho de pais separados, envolveu-se nas drogas aos 17 anos. “Minha mãe, mesmo debilitada pela hemodiálise freqüente a que se submetia, trabalhava como padeira para nos trazer o sustento, enquanto eu, o único homem da casa cuidava das minhas 3 irmãs”. As más companhias lhe introduziram, por curiosidade, ao submundo. Inicialmente, usuário de cigarro, álcool, maconha, posteriormente cocaína e crack, diz que levou apenas 5 meses para se tornar um viciado. O trabalho que sua mãe conseguira à ele, com esforço, como auxiliar de padeiro, por duas vezes fora sacrificado devido a dependência química. Demitido por justa causa vende suas próprias roupas, tênis, e outros utensílios para adquirir a droga. Entra no mundo do crime, faz roubos e assaltos e assim passa a conseguir o dinheiro que necessita. Como se não bastasse rouba até o próprio rancho do mês. Sua mãe, desesperada pede ajuda aos primos e amarra Eduardo com uma corrente, por três dias à mesa da cozinha e sai a procura de ajuda.
Recuperado na Cidade de Refúgio, Betil se converte, ganha reconhecimento e de auxiliar de obreiro passa à direção da ala masculina. Nos deslocamentos para a chácara feminina, onde leva a turma de rapazes para a capinagem conhece Mara Rúbia, uma colaboradora da direção do complexo. Ambos se apaixonam, e em outubro de 2006 tem sua cerimônia de casamento realizada na chácara pelo Pastor Quirino. Hoje, Mara Rúbia e Eduardo são os diretores da Ala feminina da Cidade do Refúgio e vêem na vida de seus discipuladores o espelho do futuro.
Quem é Pastor Quirino?
Paulista, filho de pai desconhecido, marginalizado aos 7 anos, envolvido profundamente com o tráfico a partir dos 9, este homem tem uma história de vida que rende um livro. De posse de uma arma, torna-se milionário aos 15 anos, depois de fazer um grande roubo em uma seguradora no interior de São Paulo. Satisfeito com a missão bem-sucedida retoma os crimes com a ambição redobrada e muda-se para a capital paulista onde monta seu próprio comércio de drogas. Lá, passa a viver o paradoxo da vida luxuosa e miserável, ao mesmo tempo. Com uma extensa fixa criminal, preso diversas vezes em cidades como Campinas, Campo Grande, Rio de Janeiro e São Paulo conta que passou os últimos 10 anos de seu pesadelo no Complexo Penitenciário Carandiru, onde vivenciou a terrível experiência da vida numa solitária, um ambiente cuja simples lembrança lhe tranca a voz, e preenche seus olhos com lágrimas. Na época, um inferno que à concepção humana acabaria com sua vida. Hoje, o reconhecimento: “o lugar onde conheci o amor, a graça e a infinita misericórdia de Deus”.
Da sela de segurança máxima ao pastoreio de internos, assim foi a trajetória do Pastor Quirino dentro da prisão. Liberto, viaja o Brasil inteiro contanto o seu testemunho. Mas em 1996, ao chegar em Porto Alegre onde decide fixar residência, sente-se outra vez desamparado, e chega a dormir na rua juntamente com mendigos, uma provação que lhe faz questionar uma promessa de Deus: “Senhor, tu disseste que proveria o meu sustento, e olha onde estou?”. Como as promessas de Deus nunca falham, o provento começou a chegar. Ajudado por pastores amadurece os planos de montar um centro de recuperação para ajudar pessoas cujas experiências tenham sido semelhantes a que ele viveu. Funda em 1998, juntamente com sua esposa, filha de pai desconhecido que também experimentou a miserável vida das drogas, a Cidade de Refúgio. Hoje, um pastor humano, líder, sábio e muito competente empenha a sua vida e a de sua bela família, à execução do propósito de Deus: colocar em prática, 24 horas por dia o evangelho redentor do pai, recuperando pessoas das quais a sociedade teme.
Princípios – métodos de prevenção as drogas
· Estabelecimento de limites
· Fidelidade conjugal dos pais
· Monitoramento familiar
· Religiosidade prática
· Trabalho comunitário
· Uma refeição diária em família
GRAFICO DA TAXA DE DIVÓRCIO
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2006/12/05/286900291.asp
Você Sabia?
§ O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo.
§ O álcool é a droga lícita que abre as portas para as ilícitas.
§ Cerca de 20% dos jovens de classe média já experimentaram drogas no Brasil.
§ O crack é cinco a sete vezes mais potente do que a cocaína.
§ Quem usa maconha tem 56% mais chances de vir a consumir outro tipo de droga.
§ A maconha é dez vezes mais cancerígena que o cigarro.
§ De cada dez jovens que experimentam drogas, um vai se torna dependente.
§ A maconha atual é até três vezes mais tóxica que a de 15 anos atrás.
§ A maconha tem mais de 400 substâncias químicas que atingem o cérebro dos bebês.
§ Dirigir sob o efeito de maconha pode triplicar o risco de se envolver em um acidente fatal de trânsito.
[Fonte: UFRJ e AntiDrogas]
Para doações
Banco do Brasil
ATC (Associação Terapêutica Crista) CID. Refúgio
AG 0342-5
C/C 9.795-0
Quer ajudar? Então doe:
- Alimentação (qualquer tipo)
- Beliches, roupas de cama;
- Material de limpeza;
- Material de cozinha;
- Materiais escolares;
- Bíblias etc.
Testemunhos e palestras em teatros e escolas
Fone: 51 34010666 (escritório) Plantões (51 9824-0991 e 51 96220997 ) C/ Pastor Quirino.
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Comentado em: quarta-feira, 05/08/2009 15:48h
Pra mim o maior milagre depois da salvação é sem sombra de dúvida a recuperação de um dependente químico, tendo em vistas o estrago uqe o vício provoca na vida da pessoa e na sua família. Creio que o trabalho não é só recuperar o viciado, mas alertar nossas autoridades que o tráfico está enraigado na corrupção dos tres poderes nacionais. O grande traficante não consome, quer apenas o dinheiro a quaquer custo. Isto tambem é pecado e merece a atenção da igreja.
João é de Sorocaba.sp.